Querida irmã, Kamila (FELIZ NATAL)

Estou devendo essa postagem a você e a todos aqueles que acompanham o blog. Sair de Puerto de Mógan já foi uma aventura, preparar as refeições, planejar o estoque de comida e bebidas, pensar na estrutura do barco para que nada saia do devido lugar etc. Estou feliz que conseguimos! Velejamos bem – posso resumir a viagem dessa forma. Velejar a favor do vento não é assim tão difícil, porém a vida chacoalhando que nem sempre é fácil. Durante a viagem, tivemos que dormir no salão, porque a nossa cabine estava fedendo a cloro (Christoooooph!). Meu skipper colocou um produto a base de cloro no poço e só conseguimos resolver o problema aqui em Cabo Verde.

Dormindo na sala
Sol que raramente apareceu

Minha máquina de vácuo foi mais importante do que algumas velas. Eu preparei refeições para todos os dias. Não sei como sobreviver sem ela. Conseguimos manter um rítmo bom com os turnos. Mas o tempo estava horrível. Pegamos uma tempestade de areia que deixou o barco parecendo uma praia. Chegamos em Mindelo com o barco de outra cor. Estava na expectativa de lavar tudo chegando no porto, mas a água lá era muito cara. A solução foi usar um balde pra tentar economizar água.

Chegando no porto, nossos amigos do barco Krassy estavam esperando a gente. Eles deram uma mão para atracar o barco e logo já marcamos de jantar juntos e experimentar a culinária de Cabo Verde. Claro, que antes fomos correndo para o bar e, enfim, tomamos uma cerveja gelada – abstinência acaboooou. Lá no bar encontramos nosso professor, Martin, que também havia chegado das Ilhas Canárias. Foi uma surpresa maravilhosa encontrar com ele lá. Também encontramos outros barcos conhecidos – o mundo realmente é pequeno e as rotas sempre se cruzam.

Sim, aqui também tem coxinha

Decidimos passar uns dias em outra ilha, Santo Antão. Mas dessa vez deixamos o barco em Mindelo e fomos a procura de um hotel pra ficar – obaaa, chuveirooooooo! Santo Antão realmente é lindo. Gostei da ilha, das caminhadas, da comida, natureza e tudo mais. O povo é, porém, mais fechado do que imaginei, não gostam do famoso bate-papo dos brasileiros.

Ponta do Sol

Chegando novamente em Mindelo… uma surpresa desagradável! Uma corda que segurava o barco roupeu-se e o barco bateu na plataforma. Por sorte, haviam duas cordas e o impacto só quebrou a escada. Mais uma tarefa pra o super skipper!

Hora de buscar nosso tripulante, Catalin! Eu já queria atravessar logo o Atlântico, mas nosso tripulante só chega dia 28 em Sal – mais ou menos 150 quilômetros de Mindelo. Bora buscá-lo!

Vamos fazer a viagem em etapas para conhecer outras ilhas por aqui. Primeira parada, Santa Luiza, uma ilha deserta fantástica! Ancoramos em noite de lua nova e o ceu estava um espetáculo, aquele tipo de ceu que tem até estrela cadente. Segunda parada, Santo Nicolau. Foi a velejada mais emocionate – vimos golfinhos, pescamos um peixe (dourado do mar ou também conhecido como mahi mahi) e apreciamos um dia com sol. Comi tanto peixe que fico aqui sonhando com um churrasco!

Santa Luzia
Filetando!

Vamos passar o natal aqui em Santo Nicolau, pensando na nossa família, em vocês, em nossos amigos e agradecendo pela oportunidade de velejar. A única inveja que tenho é que você hoje vai estar ao lado da nossa mãe. Um beijo bem grande pra vocês, amamos vocês. FELIZ NATAL
FELIZ NATAL também para todas as minhas tias, tios, primos, primas, amigos e amigas. Um abraço também para minha sobrinha Lolo e minha irmã Mayara.

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